O Quarto

Não seria errado comparar o quarto com uma zona fora dos limites do mundo, um lugar à parte de tudo aquilo do outro lado da porta e da janela.

Janela essa por onde a luz mal passa e, no entanto é possível sentir-se tão iluminado quanto estaria em uma praia ao meio dia num verão qualquer.

No quarto o desespero bate e a segurança vem alimentar a sanidade e logo tudo se torna colorido, invadindo o cotidiano cinzento das metrópoles.

É no quarto, um cubículo de quatro paredes, onde os desejos e sonhos se realizam.

É lá onde a festa de um só acontece todos os dias e Orfeu nos oferenda o sono de mil estrelas.

É lá onde as letras surgem, descem do topo da cabeça até as pontas dos dedos, ágeis datilógrafos.

No quarto tudo se torna real. A imaginação se encarrega disso habilmente, sem precisar de explicações ou desenhos num papel.

O quarto é sagrado, é quente, falante e gentil.

O que diriam os pais se ouvisse o que o quarto diz?

(Velma)